“Se um juiz passar a ter medo, não existe mais Judiciário”, afirma Flávio Dino após relatório revelando ameaças contra o STF Ministro publica trechos de levantamento da Segurança do STF que reúne menções a agressões e assassinatos contra magistrados, aponta maior concentração no X e reitera independência profissional. POR CARLOS LEEN – O PROGRESSO O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino revelou nesta sexta-feira (9 de outubro de 2026) que recebeu trechos de um relatório produzido pela Secretaria de Segurança Judicial da Corte mapeando milhares de mensagens contendo ameaças explícitas de morte e agressões físicas direcionadas a membros do tribunal. Em publicação feita em suas redes sociais, o magistrado especializou um recorte do documento e atribuiu a onda de hostilidade à difusão contínua de desinformação na internet. O levantamento da segurança do STF destacou a rede social X (antigo Twitter) como a plataforma que concentra o maior volume e a maior proporção de publicações prejudiciais contra a Corte. Discurso de Independência e Defesa das Instituições Ao comentar o teor das intimidações — que incluem restrições à execução, fuzilamento e uso de explosivos —, Dino reiterou a importância do respeito ao devido processo legal e ao Estado Democrático de Direito. “Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões. Quem discorda de decisões judiciais deve recorrer aos colegiados competentes” , pontuou o ministro. Dino destacou ainda que, em seus 37 anos de trajetória na vida pública, jamais respondeu a processos criminais, reforçando a necessidade de o Judiciário agir de forma destemida: “Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição. Em nada alterei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou” . A manifestação de Flávio Dino ocorre em um momento estratégico, no qual o papel das redes sociais, no ecossistema político e na segurança institucional dos magistrados voltam ao centro das atenções. A identificação do X como principal vetor de conteúdos extremistas reacende o debate técnico sobre a moderação de conteúdo e a responsabilização de plataformas no combate a discursos de ódio. Ao reafirmar que a atuação profissional dos juízes não será pautada por coação ou intimidação pública, a fala de Dino busca blindar a Corte e sinalizar firmeza institucional frente à pressão política gerada pela circulação de conteúdos hostis. Navegação de Post Novo problema com trem da VLI volta a preocupar São Francisco do Brejão