Minha cidade natal, São Francisco do Brejão (MA), tem menos de 10 mil habitantes, segundo o IBGE (2022). A economia local gira, principalmente, em torno da Prefeitura e dos aposentados. O comércio é modesto, não há grandes empresas ou indústrias e, por isso, o serviço público continua sendo o principal empregador. Neste domingo (2), o município realizou concurso público pela primeira vez desde 2015.
Após 11 anos, o certame ofertou 70 vagas e movimentou a cidade. O que mais chamou minha atenção, porém, foi a quantidade de pessoas de fora. Brejão é tão pequeno que, quando alguém chega, logo se percebe que não é morador. Neste domingo, eram centenas. O cargo mais concorrido foi o de Agente Comunitário de Saúde (ACS): mais de 200 candidatos disputando apenas quatro vagas. O prêmio? Um salário superior a R$ 3 mil e a possibilidade de ingressar no serviço público.
É muita gente em busca de uma vaga efetiva. É muita gente em busca da chamada “estabilidade”. Apesar de empresários e influenciadores, como Flávio Augusto, defenderem que essa estabilidade não existe, especialmente no setor privado, ela continua sendo um dos maiores sonhos de milhares de brasileiros, principalmente nas pequenas cidades.
Há, porém, uma reflexão que merece ser feita. Em concursos como esse, candidatos de cidades maiores costumam disputar e, muitas vezes, conquistar boa parte das vagas. Enquanto isso, muitos moradores locais permanecem em contratos temporários, aguardando uma nova oportunidade de efetivação.
Carlos Ferreira